O Estado de São Paulo (SP) • POLÍTICA • 03/02/2016
Ex-ministro morre no Rio aos 74 anos
Ele foi chanceler no governo FHC, entre 1995 e 2001, atuou no Cebri e na Firjan
O ex-ministro das Relações Exteriores Luiz Felipe Lampreia, de 74 anos, morreu ontem no Hospital Pró-Cardíaco, em Botafogo, na zona sul do Rio. O hospital não foi autorizado pela família a informar detalhes sobre a morte. Há cerca de um mês, o ex-ministro, que exerceu o cargo de janeiro de 1995 a janeiro de 2001, durante a gestão Fernando Henrique Cardoso (PSDB), tinha recebido alta do Hospital Samaritano, também em Botafogo, onde se tratava de um tumor pulmonar. Lampreia será cremado amanhã. Nascido no Rio em 19 de outubro de 1941, Lampreia cursou sociologia na Pontifícia universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro. Concluiu o curso em 1962 e no mesmo ano ingressou no Instituto Rio Branco, a escola diplomática brasileira. Além de ministro, o diplomata desempenhou as funções de secretário-geral do Itamaraty, subsecretário de Assuntos Polít icos Bilaterais, representante permanente do Brasil em organismos internacionais em Genebra, embaixador em Lisboa e em Paramaribo (Suriname) e porta-voz do Ministério das Relações Exteriores. O Itamaraty publicou ontem nota lamentando a morte do ex-ministro. O diplomata foi professor associado de Relações Internacionais da ESPM-Rio e atuou no Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), do qual foi vice-presidente emérito. Lampreia ocupou a presidência do nselho de Relações Internacionais da Federação das Indústrias do Estado do Rio (Firjan) e integrou os conselhos de várias empresas internacionais, como McLarty Associates e Oxford Analytica, Partex Oil and Gas, Souza Cruz, Coca-Cola e Caixa Geral de Depósitos. Casado com Le nir Aché Carneiro da Cunha, Lampreia deixa filhos, entre eles o músico Rodrigo Lampreia. Blog. Lampreia mantinha um blog sobre política internacional no site do jornal O Globo. Suas últimas postagens ocorreram em outubro de 2015. Em artigos, o diplomata criticou a entrada da Venezuela no Mercosul e reclamou de seu sucessor, Celso Amorim, quando o Brasil encerrou as negociações para a criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Há um mês, Lampreia acompanhou 40 embaixadores aposentados e assinou um manifesto em favor do governo brasileiro em um episódio diplomático com Israel. O governo israelense divulgou o nome de Dani Dayan, líder de assentamentos em territórios palestinos, para ser o embaixador do país em Brasília, mesmo sem a concessão do agrément, autorização concedida pelo governo brasileiro. Acervo. Em 2008, o diplomata doou seus arquivos à Fundação Getúlio Vargas do Rio de Ja neiro (FGV-Rio). A instituição passou a guardar ao menos 7 mil documentos e textos, inclusive da época em que Lampreia desempenhou a função de ministro das Relações Exteriores. O acervo é composto por correspondências, estudos, análises e discursos. É expressiva a correspondência com diplomatas e políticos, entre eles o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Entre os temas tratados nos documentos estão as relações do Brasil com diversos países, em especial os integrantes do Mercosul e da União Europeia, o Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares, a Área de Livre Comércio das Américas (Alca), a ONU e a OEA.

