Indústria representa 48% dos investimentos na América Latina

VALOR ONLINE (SP) • ÚLTIMAS NOTÍCIAS • 10/8/2016

As indústrias lideram o volume de projetos de investimentos externos de empresas brasileiras na América Latina. Segundo pesquisa do Observatório de Multinacionais Brasileiras da ESPM, o setor manufatureiro representa 48% dos investimentos, mas tem menor valor agregado. Em segundo lugar vem o setor de serviços, com 33% e o restante, 19%, fica com o setor primário. “Apesar do grande número de investimentos industriais, observa-se que essas operações dedicam-se a gerar produtos com baixo nível de intensidade tecnológica, que não demandam mão de obra altamente qualificada nem conhecimento tecnológico avançado”, diz Gabriel Vouga Chueke, coordenador da pesquisa.

Segundo ele, é perceptível o rápido crescimento da internacionalização de empresas no setor de serviços, especialmente o segmento de tecnologia da informação (TI). Para o pesquisador, o dado mostra a necessidade de as empresas buscarem a integração das cadeias de produção com bens de maior valor agregado e menos suscetíveis à competição global.

A pesquisa mostra ainda que as companhias brasileiras estão mudando o modo de entrada de investimentos externos na América Latina. De 2010 a 2015, dos 80 projetos de investimentos realizados na região por companhias brasileiras, 47 (59%) foram feitos por meio de aquisição de empresas.

O número de aquisições ultrapassou os 26 (33%) projetos “greenfield”, que contemplam a abertura da operação desde o início, com a escolha do local de investimento, obtenção de licenças e contratação de funcionários, entre outros. O restante dos aportes – 8,8% – do período foi feito por meio de joint-venture.

Esse perfil de entrada nos últimos cinco anos diverge do modo de investimento tradicional das empresas brasileiras, aponta o coordenador da pesquisa. Historicamente, diz Chueke, levando em conta dados de 1969 a 2015, as operações “greenfield” foram o modo de entrada de 60% dos investimentos brasileiros nos países latino-americanos. Nesse intervalo mais longo de tempo, as aquisições representaram 31% dos investimentos e as joint-ventures, 9%.

A operação “greenfield”, explica Chueke, costuma garantir ao investidor um maior grau de controle sobre as operações e maiores taxas de retorno sobre os investimentos realizados. As aquisições, porém, permitem que a empresa entre em um país de forma rápida, obtendo recursos como mão de obra, equipamentos, canais de distribuição e marcas locais com reputação já estabelecida no país.

A idade das empresas é outro dado destacado. Segundo a pesquisa, 61% das empresas são consideradas nascentes, com menos de 10 anos, 28% são jovens – entre 10 e 19 anos – e 11% são maduras, com mais de 20 anos de operação.