Dalton Pastore assume a ESPM em 2017

PROPAGANDA E MARKETING (SP) • ÚLTIMAS NOTÍCIAS • 10/8/2016

José Roberto Whitaker deixará presidência, depois de sete anos

José Roberto Whitaker deixará o cargo de presidente da ESPM, no próximo mês de dezembro, depois de sete anos no comando da escola. Quem assume a posição, a partir de 1º de janeiro de 2017, é Dalton Pastore. Com a mudança, o Conselho Deliberativo da ESPM consolida um processo de transição organizacional que procura posicionar a instituição como uma das mais importantes do segmento de ensino, aprendizagem e pesquisa em comunicação, gestão e tecnologia.

Alê Oliveira

Dalton Pastore assume presidência da ESPM

Membro do conselho, Pastore é Publicitário e empreendedor. Começou sua carreira como redator nas agências Fator, Santos&Santos, Propeg e Artplan. Na Ogilvy, onde atuou por 15 anos, ocupou posições nas áreas de atendimento e planejamento, chegando a Presidente da Ogilvy Brasil. No Grupo Abril foi Diretor Geral da Editora Primavera da Argentina e mais tarde Diretor Geral de Publicidade da Abril Brasil.

Foi presidente da ABAP –Associação Brasileira de Agências de Publicidade e do IV Congresso Brasileiro da Indústria da Comunicação. Atualmente preside o ForCom –Fórum Permanente da Indústria da Comunicação e é membro da Comissão de Liberdade de Expressão da OAB.

“Reconhecemos no legado de prestação de serviços à ESPM por mais de três décadas que José Roberto Whitaker Penteado deixa uma contribuição extremamente valiosa e decisiva para a instituição alcançar uma posição de referência internacional em seu segmento de atuação. Com o apoio de toda a equipe, que passará a ser liderada pelo Dalton Pastore, seguiremos construindo o futuro da ESPM baseado na conexão com o mercado profissional por meio de valores éticos e do talento técnico que distinguem nossa história” afirmou Armando Ferrentini, presidente do Conselho Deliberativo da ESPM.

Com 90 Leões, Brasil foi ‘bronze’ no Cannes Lions 2016

O ESTADO DE SÃO PAULO (SP) • ECONOMIA • 25/7/2016

Levantamento do ‘Estado’ mostrou que somente EUA e Reino Unido superaram desempenho do País

O Brasil voltou do Cannes Lions – Festival Internacional de Criatividade com a medalha de bronze entre os 91 países que inscreveram pe- ças no maior festival de publicidade, comunicação e marketing do mundo. O levantamento por país participante foi feito pelo Estado, representante oficial de Cannes Lions no Brasil. Apesar de o desempenho do País em 2016 ter sido inferior ao registrado no ano passado – desta vez, foram 90 prêmios, ante um total de 108 angariados em 2015 –, o País só ficou atrás dos Estados Unidos (tradicional campeão global em Cannes, que recebeu nada menos que 355 Leões) e do Reino Unido, que voltou para casa com 164 prêmios. Entre as 23 categorias do festival, o Brasil só não recebeu Leões em Glass, Creative Effectiveness, Innovation, Film Craft e Titanium. O País ainda trouxe o prêmio de Agência do Ano de Cannes Lions 2016 para a AlmapBBDO. O Public itário Marcello Serpa, com mais de 30 anos de profissão, e que deixou o comando da Almap há pouco mais de um ano, foi homenageado com o Lion of St. Mark, prê- mio para o conjunto da obra concedido pelo festival. Queda nas inscrições. Conforme os dados levantados pelo Estado, o País teve um total de 2.805 peças inscritas em Cannes Lions, Lions Health, Lions Innovation e Lions Entertainment – os quatro festivais que atualmente compõem o evento que dura oito dias na Riviera Francesa. Houve queda de quase 10% nas inscrições em rela- ção a 2015, quando Cannes recebeu 3.114 trabalhos brasileiros. Dos 91 países que se inscreveram, 61 receberam ao menos um Leão. Foram 43.101 trabalhos concorrendo – um novo recorde – e 1.360 Leões concedidos pelos júris. Os Estados Unidos inscreveram mais de 9,7 mil peças, ou 22% do total para o ano. O Reino Unido ficou em segundo lugar, com 3,2 mil peças. Além dos três países que compuse ram o “pódio” do festival – Estados Unidos, Reino Unido e Brasil –, o “top ten” entre os premiados incluiu ainda a Austrália (com um total de 70 prêmios), Alemanha (63), Nova Zelândia (57), França (55), Suécia (51), Japão (46) e Argentina (40). Entre os dez principais premiados, três países não estavam no “top 10” em relação ao número de peças inscritas: Nova Zelândia, Suécia e Argentina.

Todo meu amor aos anúncios de redatores

PROPAGANDA E MARKETING (SP) • ÚLTIMAS NOTÍCIAS • 25/7/2016

Textos fluidos, bem escritos, com começo, meio e fim, serão lidos sempre

Divulgação

Claudia Penteado é jornalista

Um anúncio de texto de página inteira, diagramado em um layout limpo, chamou a minha atenção no jornal O Globo no último dia 21: a peça era um manifesto de posicionamento e crenças da escola Eleva (novo empreendimento educacional do fundo Gera). Capturou a minha atenção não apenas pelo texto longo, refinado e ao mesmo tempo simples, sem título, tailor-made para o meio jornal. Sou mãe de uma adolescente, e o assunto me interessa. A nova escola está no meu radar. Li de um fôlego só e fui atrás do redator.

Rapidamente descobri o autor do texto: Armando Strozenberg, chairman do grupo Havas, um apaixonado pela palavra em todas as suas dimensões e naturalmente equipado para realizar o job de maneira precisa e, possivelmente, num prazo apertado, o que é muito comum aos jobs da área. Ex-parceiro de um dos “monstros sagrados” do texto Publicitário, Mauro Matos (que com seu lápis e papel escreveu algumas das linhas mais apuradas da história da nossa propaganda), Strozenberg é profundo conhecedor do que é uma boa peça publicitária construída única e exclusivamente com texto. Como muitos outros de sua geração e, talvez, muito poucos das novas gerações da propaganda.

A ausência de título teve uma razão prodigiosa: não querer influenciar o leitor na sua trajetória ao texto. Não antecipar ou “empacotar” conceitualmente a mensagem. Não atrapalhar a chegada, suave, ao texto escrito. Sem preconceitos, precondições, preconceituações, prés de qualquer natureza. Achei isso genial e de uma modéstia única na era dos títulos gritantes, das chamadas, das conceituações.

Tenho a sensação de que se vive sob o manto de um mito: de que as pessoas hoje não gostam de ler, sofrem de déficits de atenção, habituaram-se a textos curtos, andam distraídas em tantos canais, não tiram o nariz da tela do celular. Isso pode ser verdade. Também. Mas não só. Textos fluidos, bem escritos, com começo, meio e fim, serão lidos sempre que houver adequação da mensagem ao meio. Do meio à mensagem.

Quando pergunto aos meus interlocutores experientes qual a qualidade primordial de um bom redator, a resposta é quase sempre a mesma: saber contar boas histórias, valendo-se do precioso ferramental da palavra escrita.

Rynaldo Gondim, exímio redator da AlmapBBDO, fala que já sofreu para redigir até os textos mais curtos. Afirma que “ralou muito” para chegar aos admirados textos longos. E tornou-se autor de um anúncio clássico alltype de mais de 10 mil toques para o Passat (VW). Como o texto é muito longo, o título convida: A gente sabe que você não iria ler um texto longo sobre os benefícios do Passat. Então, aí vai o curto. Ele conta que seu texto gigantesco foi pensado para entreter quem começou a ler, como uma espécie de agradecimento a quem se deu ao trabalho e, ao mesmo tempo, conduzir o curioso adequadamente e gentilmente até o seu final.

Roberto Duailibi lembra que quando entrou como chefe de redação na JWT, o diretor da agência no Brasil, Robert Merrick, disse-lhe que um bom texto não precisa de qualquer ilustração. Sozinho deve vender. Soa atemporal. E é ele quem me lembra que Caio Domingues, outro exímio redator, costumava dizer que não existem textos curtos ou textos longos. Existem bons textos e maus textos. E mais não escrevo.

Claudia Penteado é jornalista e repórter do PROPMARK

Crise é desafio para a publicidade

DIÁRIO DO NORDESTE (CE) • NEGÓCIOS • 9/7/2016

Perspectivas de mercado, legislação e uso da tecnologia como diferencial no atual momento de crise econômica foram apenas alguns dos pontos abordados ontem no encontro promovido pela Associação Brasileira de Agências de Publicidade (Abap), no hotel Gran Marquise. Reunindo cerca de 40 associados, o setor procurou entender a situação da economia, com o objetivo de aproveitar as oportunidades que têm à disposição no momento.

“As agências precisam cada vez mais investir em gestão, especialmente neste momento atual de economia tão desafiadora. Precisamos nos preparar para um mercado que exige mais resultados”, destacou Orlando Marques, presidente da Abap.

Legislação

Um dos temas que mais causou discussões no encontro foi o da legislação. O presidente da Abap mencionou, por exemplo, a nova lei das empresas públicas, estatais, que foi promulgada recentemente. “Há pontos como ter que limitar o investimento a 0,5% do faturamento da empresa, mas que pode chegar a 2%. Temos que entender até onde isso pode influenciar positivo ou negativamente na publicidade”, comentou Orlando Marques.

What Design Can Do: 7 coisas que o design pode fazer pelo mundo

DESIGNBR (PR) • NOTÍCIAS • 7/7/2016

O Publicitário brasileiro Marcello Serpa, fundador da agênciaAlmapBBDO, deu uma pausa em seu ano sabático para palestrar no What Design Can Do. Conversei com ele sobre o evento.

B9: Estamos em um evento que discute o que o design pode fazer pelo mundo, mas e a publicidade? O que a publicidade pode fazer por um mundo melhor?

Marcello Serpa: A publicidade pode ajudar a difundir ideias, mas ela só comunica. Publicidade é o reflexo do que a marca é. O grande desafio hoje é parar de comunicar intenções e comunicar ações. Como eu falei na minha palestra, se todas as marcas estão tentando salvar o mundo, quem é o FDP que está estragando o planeta?

B9: Muitas palestras aqui falaram sobre diversidade. É um assunto quente na Europa, foi muito falado também em Cannes. Como você vê a falta de diversidade na publicidade brasileira?

MS: Está melhorando em termos de mensagem, mas não dentro das agências. O mercado fica muito fechado em si, se retroalimentando. Todo departamento de criação deveria ser o mais heterogêneo possível. Enquanto a gente só quiser trabalhar com pessoas como a gente, o mercado não evolui.

B9: O que está faltando para termos um mercado mais diverso?

MS: Os tomadores de decisão precisam começar a fazer ao invés de falar. A ignorância sobre a ignorância é o pior. Não adianta falar que sabemos o que está errado e não fazermos nada.

Jayme Sirotsky receberá prêmio da Alap pela defesa da liberdade de expressão

ZERO HORA (RS) • GERAL • 2/7/2016
PRÊMIO

Presidente emérito do Grupo RBS, Jayme Sirotsky foi escolhido pela Associação Latino­Americana de Publicidade (Alap) para receber um prêmio em reconhecimento a sua luta em favor da liberdade de imprensa e de expressão.A Láurea Roberto Civita, que leva o nome do ex-presidente do Grupo Abril, será entregue durante a 21ª edição do Festival Mundial de Publicidade de Gramado, em 7 de junho do ano que vem. A distinção destaca a atuação internacional de Jayme Sirotsky, que já ocupou o cargo de presidente da Associação Mundial de Jornais (WAN, na sigla em inglês), em defesa do direito à livre expressão.O prêmio será entregue pelo presidente do Grupo Abril, Walter Longo, antes da palestra inaugural do evento. Para formalizar o convite à cerimônia, estiveram reunidos na sede do Grupo RBS (da esquerda para a direita na foto) a diretora de Relações Internacionais da Alap, Andressa Martins, o secretário-geral da entidade, João Firme, o presidente emérito do Grupo RBS, Jayme Sirotsky, a gerente regional da Editora Abril, Sonia Paula, e o diretor de marketing da Alap, Itamar Gravem.

Strozenberg: “O papel da grande ideia não muda nunca”

PROPAGANDA E MARKETING (SP) • ÚLTIMAS NOTÍCIAS • 1/7/2016

Publicitário fala um pouco da sua experiência no Cannes Lions 2016, festival que frequenta há mais de 30 anos.

Armando Strozenberg, CEO da Havas Brasil e vice-presidente da Associação Brasileira de Agências de Publicidade (Abap), acaba de voltar do Cannes Lions, possivelmente sua 31a experiência por lá, ele especula. Todos os anos, ele é um daqueles delegados que conseguem estabelecer a conexão perfeita com o que há de mais interessante, mesmo em um evento tão gigantesco, onde muitas escolhas precisam ser feitas diariamente. Aqui, ele comenta algumas das impressões que trouxe na bagagem.

O que se aprendeu em Cannes este ano?

Armando Strozenberg – Que as perguntas sobre o futuro da indústria de comunicação são um crescente processo, muitas vezes tortuoso; e as respostas, cada vez mais apenas repetitivas, e até pretenciosas ou perigosamente simplistas. Por exemplo, quando se atribui “ad nauseam” à tecnologia um papel de panaceia universal, que ela não tem, não pode, nem deve ter. Ou quando algumas respostas propõe até a aposentar o papel da criatividade.

O que você, em especial, trouxe na bagagem?

Strozenberg – Uma afirmação do meu guru Kevin Kelly de que “estamos entrando apenas no nascimento do ano 1 do mundo digital e que, portanto, ninguém deve se sentir atrasado”. Além de apaziguadora, esta percepção parece conter imensa sabedoria.

Outros aprendizados:?

Não somos nem amigos nem inimigos da tecnologia. Ela veio para emoldurar o nosso cotidiano.??

70% dos Leões, de 2000 para cá, são levados para casa por países menos ricos, segundo estudo recente apresentado em Cannes. ??

É fundamental “desestereotipar” cada vez mais os personagens da comunicação mercadológica.??

A internet deixou de ser um canal. É cada vez mais pilar de cultura.??

Como é poderoso o conceito criativo e simbólico da campanha “Happy Father’s Day” da P&G!

Thomas Edison foi um “adaptador”, Da Vinci é um inventor. Confuciana definição para qualificar a criatividade publicitária que ouvi por lá.

Como me orgulhou e emocionou ver o St. Marks nas mãos do Marcello Serpa. Que linda homenagem à moderna história da propaganda brasileira. É a cena mais forte que, com certeza, ocupará lugar de honra na minha memória deste CannesLions 2016.

Entre tantas experiências de Realidade Virtual e Inteligência Artificial, o que elas trazem para a propaganda? Strozenberg – A curto prazo e em termos práticos, pouco traz. Sem escala, o seu uso ainda é para poucos. Mas olhando pra logo ali na frente o papel e o tamanho que terão o seu potencial cognificador é imenso. (Cheguei a ouvir que em 10 anos o Google será uma empresa 100% de Inteligência Artificial!).

E o que de essencial se mantém? Strozenberg – O papel da Grande Ideia, do Great Work.

E que o marketing não pode ser visto como instrumental melífluo de políticos. Mas, sim, como traço cultural da modernidade, com suas qualidades e defeitos.

Das palestras que você assistiu – o que de mais interessante viu?

Strozenberg – Como a indústria da comunicação e marketing está olhando de perto questões como Diversidade, Inclusão, Relações Cliente & Agência, Peso da Sustentatibildade nos Negócios, Revalorização da Confiança, Papel desencadeador dos melhores jobs pelos anunciantes e os desafios do storytelling para cumprir o papel de conteúdos originais. São temas que dominaram o andar de cima da programação e seduziram pela pertinência e atualidade.

A questão de gêneros – foi a grande questão do festival, como algumas pessoas afirmaram?

Strozenberg – Com certeza foi uma das principais questões, como disse antes. Afinal, descobri que apenas 34% das mulheres são protagonistas no conteúdo Publicitário e apenas 31% na cinematografia ficcional! Algo totalmente desalinhado com o percentual de mulheres que hoje decidem na nossa indústria. Under Armour, Coors Light, P&G e RAM são alguns anunciantes que entenderam e começam a abrir novas narrativas para este desafio.

Inovação – É papel das agências ser o elemento que leva a inovação para o cliente?

Strozenberg – Único, não. Mas fundamental sempre. Foi, é e será. Hoje mais no nível da Linguagem, do Data, e nas propostas que envolvam mais Risco. A destacar também algumas incursões, ainda tímidas, no segmento de produtos e serviços, e mais consistentes na área social – “apps”, em especial. (Aliás, assistir às sessões de “Innovation” se tornou hoje uma das mais instigantes experiências oferecidas aos que frequentam o hoje gigantesco CannesLions).

Em alguns aspectos estamos, no Brasil, um pouco distantes de muitas das tendências que surgem num evento tão plural. O que nos serve, de fato, como ensinamento?

Strozenberg – Para citar apenas dois de muitos outros: primeiro, em termos competitivos o Brasil é acima da média mundial apenas na área de criatividade em Print. (Aliás, nem do grupo dos países mais criativos com menos poder econômico, o Brasil faz parte: Nova Zelândia e Argentina lideram a relação Inscrições x Leões distribuidos nos últimos 15 anos)

Em segundo lugar, infelizmente, percebe-se que ainda fazemos parte do time insignificante de países que inventa relevante tecnologia e linguagem para o desenvolvimento da mercadologia mundialPrecisamos refletir mais-e-mais sobre isto se, de fato, queremos nos aproximar das principais tendências do mercado mundial. Tarefa que cabe actoda indústria, academia inclusa.

Como lidar, ainda, com peças fantasmas, criadas muitas vezes irresponsavelmente, sem nenhuma conexão com consumidor ou zeitgeist? Strozenberg – Tratar deste assunto a esta altura chega a me fazer mal à saúde 🙁

Algum trabalho em especial chamou sua atenção, no festival?Strozenberg – Muita coisa boa, como sempre. Mas vencedores como os improváveis Rembrandt. Harvey Nichols, NYTimes, Burger King x McDonalds, o “Coro” da Philips (confirmando a bem-vinda melhoria do nível das peças de Health). Me impressionaram também a evolução consistente do digital craft e o sucesso de um número cada vez maior de cases curiosos de promo activation, o papel crescente do enterteinement como conteúdo, a tentativa de reinvenção do RP e – finalmente – a descoberta do papel da Música, categoria que parece ter vindo pra ficar.

Como, no cenário atual brasileiro, arregaçar as mangas, sacudir a poeira e trabalhar direito, e bem?

Strozenberg – Primeiro, empenho total numa espécie de cruzada pela “salvação do Brasil” como nação, coneçando pela refundação dos seus valores. Em paralelo, esforço máximo de todos contra a debacle sócio-econômica que nos ameaça; aliás, deste projeto cabe aos Publicitários um papel significativo, e não apenas de meros coadjuvantes executores.

Qual a sua visão do comprometimento dos 6 principais grupos de comunicação do mundo com os 17 objetivos de sustentabilidade da ONU, em pleno festival de Cannes?

Strozenberg – Eis aí um golaço do CannesLions 2016. Que deve servir de exemplo para este mundo tão implodido. Enfim, uma grande notícia que eleva a imagem institucional da indústria a um patamar nunca antes atingido na História. (O grupo Havas, do qual faço parte, já está debruçado sobre o tema”Clima”).

A força da aceitação da proposta feita pelo Secretário-Geral da ONU não se limita apenas a enriquecer os cv’s dos acionistas controladores destes seis maiores grupos mas é também, e sobretudo, oportunidade única para os seus clientes-anunciantes, profissionais e parceiros, mostrarem o seu valor.

Conar elege diretoria para mandato até 2018

G1 (RJ) • ECONOMIA • 1/7/2016 •

Novo mandato se inicia em 15 de julho.Gilberto Leifert foi reeleito para a presidência da entidade

O Conselho Superior do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) elegeu nesta sexta-feira (1) a atual diretoria para um mandato de mais dois anos.

Gilberto C. Leifert foi reeleito presidente. A diretoria terá também Newman Debs como 1º vice-presidente, Paulo Giovanni como 2º vice-presidente e Antonio Carlos de Moura como 3º vice-presidente.

João Luiz Faria Netto, Fernando Portela e Dorian Taterka completam a diretoria da entidade. Edney G. Narchi, segue na vice-presidência executiva.

O novo mandato se inicia em 15 de julho.

Votaram na eleição os membros do Conselho Superior do Conar, indicados pelas entidades fundadoras. São eles:ABA

Nelcina Tropardi (Diageo)

Newman Debs (Unilever)

Sergio Pompilio (J&J)ABAP

Armando Strozenberg (Havas)

Cyd Alvarez (PPR)

Paulo Giovanni (Leo Burnett Taylor Made)ABERT

Daniel Pimentel Slaviero (SBT)

Gilberto C. Leifert (Globo)

Júlio César Casares (Record)

Octávio Florisbal (Globo)

Paulo Saad Jafet (Band)

Paulo Tonet Camargo (Globo)

ANER

Maria Célia Furtado (Aner)

Selma Souto (Editora Abril)

Virginia Any (Editora Globo)Central de Outdoor

Marcelo Marcondes de Moura (Aurum Comunicação)

Luiz Roberto Ferreira Valente Filho (Consultoria)ANJ

Antonio Carlos de Moura (Folha)

Enrico Giannelli (O Estado de S.Paulo)

Marcelo Antonio Rech (RBS)

Na mesma sessão foram eleitos os Presidentes das oito Câmaras do Conselho de Ética. São eles:

Cyd Alvarez – 1ª Câmara, São Paulo

Sergio Pompilio – 2ª Câmara, São Paulo

Armando Stronzenberg – 3 ª Câmara, Rio de Janeiro

Daniel Pimentel Slaviero – 4ª Câmara, Brasília

Marcelo Antônio Rech – 5ª Câmara, Porto Alegre

Nelcina Tropardi – 6ª Câmara, São Paulo

Luiz Roberto Valente Filho – 7ª Câmara, São Paulo

Cléo Nicéas – 8ª Câmara, Recife

Roberto Duailibi: “vivemos uma revolução de caráter”

Época Negócios • 26/7/2016  • Por CLAUDIA PENTEADO


Diante da perspectiva de entrevistar Roberto Duailibi, resolvi convidar alguns profissionais que eu respeito a contribuir com perguntas. Foi uma experiência nova, que combinou minha própria curiosidade à de pessoas que trabalharam com ele ou simplesmente – como eu – o admiram. O resultado é esse papo leve, bem-humorado, recheado de preciosidades e alguns ensinamentos. Ninguém sai daqui do mesmo jeito que entrou.

Gosto sempre de perguntar sobre a infância, porque acredito que ela diz um bocado a respeito de que adultos nos tornamos. Que tipo de criança você foi?
Duailibi
– Fui uma criança muito feliz, morando numa cidade ainda em formação, no meio de uma comunidade de comerciantes e aventureiros álacres e cheios de histórias. Falavam árabe, discutiam o tempo todo na língua materna, mas expressavam-se também em espanhol, francês e guarani. Com os padres falavam italiano. De inglês, as crianças só sabiam dizer camonboy, como o Tom Mix. A comunidade libanesa era uma grande família, e a autoridade das mães era total. Apesar de Campo Grande ser pequena e estar a três dias de viagem de trem de São Paulo, era uma cidadezinha poliglota e isso nos dava uma visão de muitas culturas. Cresci dentro de uma loja comercial, ajudando a tirar a poeira dos balcões, arrumando as vitrines, forrando botões e até fazendo plisse. E vendo minha mãe e minhas irmãs recortando moldes, costurando vestidos e coordenando as costureiras que, em suas máquinas Singer, reproduziam os modelos de maior sucesso. Ouvíamos as rádios de Buenos Aires e as novelas da Rádio Nacional. Líamos Fon Fon, Jornal das Moças e O Cruzeiro, além de revistas francesas de moda. Andava descalço, sabia atirar de estilingue como ninguém, jogava bola de gude (que chamávamos de bolita), fazia rádio galena, jogava pião com violência contra os adversários e construía um barco a vapor com uma tampinha de álcool. Fazia, a canivete, a raquete do ping-pong e a coronha do trabuco, cuja pólvora produzia com enxofre, salitre e pó de carvão. E que atirava umas balas que eu fazia derretendo chumbo e moldando-o na terra. Conhecia a letra de todas as guaranias e do repertório imenso da música popular brasileira, pois fazia parte da educação decorar poesias. Como cresci durante a II Guerra Mundial, cantavado Hino Nacional, além de pelo menos cinco hinos militares. E no colégio dos padres salesianos decorei todos os hinos religiosos e as orações, que durante muito tempo rejeitei, mas que hoje me servem.

Onde passou a sua infância e adolescência, e por que escolheu São Paulo para viver?
Duailibi
– A infância passei na cidade de Campo Grande, então Mato Grosso. Nossa família era de sete irmãos, quatro meninos e três meninas, mas todas as crianças das outras famílias eram como irmãos para nós. Eu era o quinto filho e acreditava ser a criança mais bonitinha do mundo. O sul mato-grossense sempre foi uma extensão do estado de São Paulo, onde moravam minha avó e minha tia. Quando eu tinha seis anos meus pais me mandaram para a casa de minha avó em São Paulo, pois no colégio dos padres eu não conseguia aprender a ler, dado o clima de terror que aqueles jovens italianos impunham às crianças. Levei muita reguada na mão, ameaças de ajoelhar no milho, apagador de quadro negro na cabeça, cascudos e puxões de orelha. A casa de minha avó e da tia Ignês ficava na Rua Major Maragliano, perto de onde hoje é a ESPM e fui matriculado numa escolinha das proximidades. Eu, que estava acostumado a só ter professores homens, conheci pela primeira vez uma professorinha, uma moça linda, e me apaixonei imediatamente por ela. Aprendi a ler em uma semana e nunca mais parei. Além disso, minha avó me matriculou numa escola de datilografia da vizinhança e me obrigava a ler o jornal Estado de São Paulo inteiro todo dia. Minha avó era italiana, Ada Vianello, de Veneza, e sua família também era grande aqui em São Paulo. A tia Ignêz nascera em Beirute, falava árabe e italiano e um português impecável. Quando eu tinha 12 anos meus pais resolveram voltar para São Paulo, após a morte de um irmão, Fauze, que tinha 18 anos. Ninguém pode imaginar o sofrimento que é uma perda como essa, só quem a viveu. Fomos morar na Rua Eça de Queiroz, personagem que conheci porque um português que tinha um bar na esquina da Rua Domingos de Moras mandou pintar um gigantesco retrato do escritor na parede de seu estabelecimento. Nossa casa ficava em frente ao Colégio Benjamin Constant, antiga Deutschschulle Vila Mariana e a cem metros do Colégio Bandeirantes. Tive muita sorte de crescer naquela vizinhança, de pertencer à turma da Eça de Queiroz, de estudar e praticar esporte e política no Benjamin e no Bandeirantes.

O que encantou você na publicidade?
Duailibi
– Na loja de meus pais tínhamos muito material promocional das Linhas Corrente, das agulhas Guterman, da Colgate, além dos manequins de cera e das vitrines sempre renovadas. E esse irmão desenhava muito bem, e eu aprendi com nele a fazer caricaturas. Comecei aos 14 anos a propor material para algumas lojas vizinhas na Vila Mariana, mas nunca fui bem sucedido. Depois trabalhei no jornal do bairro, e além de escrever matérias, tinha de vender espaço. Finalmente, fui trabalhar na Colgate Palmolive – e tive a sorte de ser aprovado na Escola de Propaganda. E me encantavam as aulas com profissionais tão consagrados, Alfredo da Silva Carmo, José Kfouri, Renato Castelo Branco, Rodolfo Lima Martensen, Caio Domingues, Gherard Wilda, e tantos outros. Ao mesmo tempo, fazia o curso na Escola de Sociologia e Política.

E o que desencantou (se desencantou)?
Duailibi
– Nunca me desencantei da publicidade, com exceção de um período em que as boas agências foram afastadas das contas governamentais, que passaram a ser cuidadas por agências sem credenciais, mas alinhadas ideologicamente com políticos ou políticas. Mas hoje vejo que, no fundo, foi uma sorte não ter participado dos negócios desse período.
Outro desencanto foi ver, em algumas empresas, pessoas que pediam propina. Perdemos, ou deixamos de ganhar, algumas contas por causa disso, mas nunca cedemos. Acho que também foi uma sorte. Vi grandes marcas serem destruídas por administradores corruptos.

Qual foi a sua maior contribuição para a DPZ?
Duailibi
– Foi ter aceito o convite que o Zaragoza me fez. Isso foi em em maio de 1968. Eu era o maior salário da propaganda brasileira – mas fazia muito free lance para a Metro3 e era amigo pessoal do Petit, do Zaragoza e do Ronaldo Persichetti. Todo mundo achava que seria uma loucura fazer uma sociedade com os dois. Mas a Sylvia, minha mulher, que sempre cuidou de minhas finanças, disse que tínhamos economias para agüentar dois anos, e que eu devia arriscar. E o José Safra, que sempre foi um grande amigo pessoal, chegou a assinar um cheque na minha frente, propondo-se a ser nosso sócio. Ante tanta prova de confiança, aceitei.

O folclore sempre disse que havia uma permanente crise entre os três sócios da DPZ. Mas apesar disso tudo, uma enorme admiração entre vocês. Foi assim mesmo? (pergunta de Glaucio Binder, sócio agência Binder)
Duailibi
– É verdade. Mas tínhamos mais pontos em comum do que divergências. E o primeiro ponto é que todas as campanhas que fazíamos tinham de ser controversas, bonitas, bem executadas, bem humoradas. Daí nasceu a formulação dos 4 Compromissos – verdade, originalidade, bom gosto e moral nos negócios.
E os clientes aderiram a essa filosofia. Porque, pelo menos, tínhamos uma filosofia.
Além do mais, tínhamos um advogado que exercia grande autoridade sobre nós três, o Dr. Benedito de Mello Patti, que nunca deixou qualquer controvérsia progredir. Por outro lado, nos 46 anos, nunca fizemos uma reunião em que estivessemos os três. Reuniões são tóxicas; é delas que nascem as rivalidades.

Que cliente você não teve e gostaria de ter tido? (J. Roberto Whitaker Penteado, presidente da ESPM)
Duailibi
– Tivemos todos os clientes que queríamos, pois eu sempre segui um método na busca. Editávamos constantemente portfolios, eu me correspondia muito com as pessoas, sempre dei aulas e fiz palestras. Enfim, sempre acreditamos em divulgar o nosso trabalho e apresentá-lo com orgulho e alegria.

E que cliente mais deu orgulho de trabalhar?
Duailibi
– Levei seis anos para conseguir o primeiro trabalho da Nestlé. Sempre tivemos a mais irrestrita confiança do Dr. Olavo Setúbal, do Itaú, mesmo quando apresentávamos ideias que rompiam com o esperado. A Singer, a General Moros, a Souza Cruz. A Rhodia. O primeiro anúncio que a Petrobras fez foi por sugestão nossa. (O monopólio não precisa anunciar, pensavam eles na época). E os primeiros clientes, a Borda do Campo, a Fotótica, a Telebrás, depois Telesp, depois Vivo. Todos os clientes nos deram muita satisfação, porque trabalhamos para cada um como se a oferta de seus produtos ou seus serviços fosse o cumprimento de uma missão para melhorar as criaturas humanas.

Como é a vida pós DPZ? (Nizan Guanaes, CEO Grupo ABC)
Duailibi
– Continuo trabalhando na DPZ&T com o espírito DPZ. Estou gostando muito. Há muito respeito pessoal, o local é bonito, as pessoas são muito interessantes. O Eduardo Simon, o Tonico Pereira, o Rafael Urenha são criaturas que dignificam a profissão e conviver com eles é um privilégio. E poder fazer esteira na academia ao lado do Nizan é também uma maravilha.

Você sempre foi muito ligado às grandes ideias e sempre foi fã de novas tecnologias. Você acha que estamos falando muito da segunda e pouco da primeira em propaganda ultimamente? (Gustavo Bastos, sócio 11:21)
Duailibi
– A propaganda é filha da tecnologia. E eu sempre quis operar com o que havia de mais moderno, desde as máquinas Olivetti de escrever, até as primeiras máquinas elétricas, depois transformadas em impressoras; os primeiríssimos computadores Sinclair, com teclas de borracha e necessidade de programar a cada uso; depois o Commodore, uma revolução, e, por seu intermédio, a transformação das máquinas elétricas Olivetti e Remington em impressoras. Tenho orgulho de ter trazido o primeiro Macintosh para o Brasil e ter aprendido, numa viagem a Nova Iorque, a usar o PageMaker, o primeiro programa de edição e ter feito a primeira palestra a respeito. Mas a verdadeira revolução do uso da tecnologia, para as agências, foi a introdução das impressoras a laser, em lugar das impressoras por pontos. Aí mudou tudo.

Se você tivesse que começar a DPZ de novo, o que faria diferente, e o que não mudaria de jeito nenhum? (Fábio Seidl, Group Creative Director da 360i NY)
Duailibi
– A filosofia, o senso de missão. A ideia de trabalhar somente para produtos e marcas nas quais você acredita. E para pessoas nas quais você acredita.

O que você teria feito se não tivesse se tornado publicitário?
Duailibi
– Eu cheguei a me preparar para fazer o vestibular para medicina. Acho que daria um bom médico.

Qual a sua visão da publicidade, hoje?
Duailibi
– Acho que aconteceu com a publicidade o mesmo que aconteceu com a arquitetura, com as artes em geral, com a medicina, com os grandes navios de cruzeiro e de combate e com a aeronáutica. A inovação é infinita; e a capacidade de execução permite milagres.

Quem você considera o D, o P e o Z de hoje? (Armando Strozenberg, Chairman Havas Brasil)
Duailibi
– As circunstâncias são diferentes. Mas o espírito de inovação e a capacidade de atrevimento vejo-os em vários jovens que se encontram em muitas agências. O que mudou muito foram as empresas e suas estruturas. Quando você pensa que, nas décadas de 60 e 70, ainda apresentava as campanhas para os donos das empresas…

Qual é a sua definição de criatividade?
Duailibi
– A verdadeira criatividade é a capacidade de definir um problema. Resolvê-lo de maneira nova, diferente e original depende de uma atitude de trabalho, um desejo de enriquecer as outras criaturas humanas ao ver o resultado do esforço.

Que ideia criativa te arrebata hoje, no mundo, ou te arrebatou recentemente? Dê um exemplo. (Patrícia Weiss, consultora estratégica Asas http://www.asas.br.com)
Duailibi
– Me encanto ainda, e sempre, com as possibilidades que foram abertas para cada um de nós com o lançamento dos satélites. E como nos foram oferecidos de graça.
Saber que eles estão lá em cima, trabalhando por nós e conosco, me enche de alegria. Essa foi a ideia mais poderosa dos últimos tempos.

O que você tem lido?
Duailibi
– Sou um leitor compulsivo. Leio muito em inglês. Estou lendo agora, por exemplo, o pequeno livro vermelho com “Quotations from Chairman Trump“, para entender a nova América que surgirá depois dessa atual campanha eleitoral; leio “642 Tiny things to write about“, publicado pela San Francisco Writer´s Grotto; o saboroso “Dirty Movie Quote Book“, um apanhado das mais surpreendentes frases de filmes. Assisto o que posso também e recomendo o documentário “The Propaganda Game” sobre a Coréia do Norte.
Entre os brasileiros estou lendo “Trópicos Utópicos“, de Eduardo Gianetti e os “Contos Completos” de Alberto Mussa – e os livros de confrades da Academia Paulista de Letras, “Sociologia da Vida Cotidiana“, de José de Souza Martins; de Ignacio de Loyola Brandão “O menino que vendia palavras“; do historiador Jorge Caldeira, “101 brasileiros que fizeram história“; de Mafra Carbinieri, “Os gringos“; de dom Fernando Figueiredo, “O amanhecer da igreja“.
Mantenho duas bibliotecas grandes, uma sobre literatura em geral e sobre comunicação; outra sobre a história do Oriente Médio e a história da imigração libanesa para o Brasil.
Estou doando muitos livros.

Qual é o seu livro de cabeceira?
Duailibi
– Não vou negar, mas todos os dias de manhã leio um conselho do calendário do Seicho-No-Ie, pelo menos para saber em que dia do mês estou.

A quais livros você volta, sempre?
Duailibi
– “Duailibi das Citações“, para me inspirar a continuar colecionando frases para meu próximo livro.

Que filme viu e gostou recentemente?
Duailibi
– Procurei e consegui encontrar o filme de Nelson Pereira dos Santos, “Como era gostoso o meu francês”. Vi recentemente aquele documentário sobre a Coreia do Norte, terrível. No meu computador tenho uma filmoteca com obras das quais gosto muito. E confesso que gosto de todos os filmes com a Luana Piovani, excelente atriz cômica, que mereceria um reconhecimento maior do que tem recebido.

Quem são seus ídolos?
Duailibi
– José Zaragoza, Francesc Petit, Ronaldo Persichetti, Flávio Conti, José Roberto Whitaker Penteado, Boni, Olavo Setúbal, Lula Vieira (que leio religiosamente toda semana), Barack Obama, José Isaac Peres, Carlos Jereissati, Otávio Frias, Roberto Civita, Franco Montoro – e vários médicos do Hospital Sirio-Libanês e do Itaci, Instituto de Tratamento do Câncer Infantil, e vários personagens históricos e atuais.

Quando e por que você começou a colecionar frases?
Duailibi
– Foi por inspiração do Julio Cosi. Na Standard da Praça Roosevelt, ele mantinha um álbum com recortes da revista Advertising Age e reproduções miniaturizadas das melhores campanhas americanas, ao qual dava o nome de “La vache”. O álbum servia de inspiração para os diretores de arte que trabalhavam lá, o Licinio Tavares, o José Ferreira Filho, Jefferson, o Milton Luz. Eu achava que faltava algo assim para os redatores, isso é, títulos de anúncios e frases bem construídas que pudessem inspirar os redatores. As frases, isoladamente, realizam esse milagre: você lê uma frase boa, e imediatamente sua mente cria outra. Aí foi uma questão de criar um método, e hoje eu recebo sugestões diárias de milhares de pessoas. Mas o filtro tem de ser rigoroso.

Qual a sua frase favorita entre as que você colecionou ao longo da vida?
Duailibi
– Mais do que uma frase, é um episódio. Por ocasião da estreia da peça Pygmalion, Shaw mandou dois convites para Winston Churchill, com o seguinte bilhete, “Estou mandando dois convites, um para você, outro para um amigo, caso você tenha algum amigo”. Churchill devolveu os convites, acompanhados de um bilhete, “Prezado Shaw, não poderei estar na estréia da peça, pois na data assumi outro compromisso. Mas prometo estar na segunda apresentação, caso haja uma segunda apresentação”.

Alguma frase já mudou algo na sua vida?
Duailibi
– Uma frase que o José Kfoury repetia nas aulas de Redação na antiga Escola de Propaganda : “O trabalho é a imagem completa do mais perfeito amor” de Gibran Kalil Gibran. Parece meio piegas, mas resume aquilo que eu chamo de atitude de trabalho.

Você que sempre foi apaixonado pelo Rio: como vê o momento que a cidade passa, os problemas do Estado, a chegada das Olimpíadas no meio disso tudo e, principalmente, o fechamento da DPZ (já com o T) no Rio?
Duailibi
– A primeira pessoa a diminuir o Rio foi Saturnino Braga, quando declarou “o Rio está falido”. Na época foi um choque. Agora Eduardo Paes repete isso, ao invés de exaltar um dos maiores patrimônios da Humanidade, que é a cidade toda. E os policiais que foram ao Galeão com a faixa Welcome to Hell, plagiando o título de um livro de um repórter americano de nome P.J. Rourke, que escreveu um livro de turismo humoristico de título “Holidays in Hell“.
Quanto ao fechamento, acho que é temporário. Brevemente estaremos de volta.

Como você enxerga o momento atual da política brasileira, e como lidar com ele?
Duailibi
– Momento crucial. Vivemos uma revolução de caráter mais profundo do que todas as revoluções anteriores no Brasil. Surgirá um novo Brasil, mais moderno, menos preconceituoso com o comércio e com as condições para o enriquecimento geral.

Você está otimista em relação ao Brasil?
Duailibi
– Quem já viveu a inflação de Juscelino, a loucura de Jânio, a incompetência de João Goulart, a censura da ditadura militar, as maluquices de Collor, a morte de Tancredo…e o período Dilma, e ainda assim sobreviveu com dignidade, só pode ser otimista.

Há algo que você não tenha feito, que ainda gostaria de fazer?
Duailibi
– Ver meus netos – e todos os netos do Brasil – viverem num país de oportunidades, onde o talento pessoal é premiado, os sonhos podem ser realizados, o esforço recompensado.

Com o que você sonha?
Duailibi
– Viver sem sobressaltos.

 

Fonte: http://colunas.revistaepocanegocios.globo.com/mundocriativo/2016/07/26/roberto-duailibi-vivemos-uma-revolucao-de-carater/